De aldeamento puri a cidade cafeeira: a história de Queluz na Mantiqueira
Queluz teve origem em um aldeamento de índios puris criado por volta do ano de 1800, que cresceu ao redor de uma capela erguida no local onde hoje está a igreja matriz da cidade. O povoado foi elevado à categoria de vila em 1842 e, mais tarde, tornou-se município em 1876. O nome da cidade é uma homenagem à família real portuguesa: Queluz é também o nome do palácio próximo a Lisboa onde nasceu Dom Pedro I, ligação que explica a escolha pouco comum para uma cidade do interior paulista.
Marcas do ciclo do café
Assim como boa parte das cidades do Vale do Paraíba, Queluz viveu um período de expansão econômica ligado à cultura cafeeira, que deixou marcas visíveis até hoje. Sedes de antigas fazendas, como as do Sertão, São José, Restauração, Bela Aurora, Regato e Cascata, ainda existem no município e funcionam como testemunho arquitetônico daquele período de prosperidade construído sobre a mão de obra escravizada, característica de todo o ciclo cafeeiro na região.
A Matriz de São João Batista, padroeiro da cidade, foi construída em meados do século XIX por indígenas e pessoas escravizadas, sendo hoje um dos principais pontos de referência arquitetônica do centro histórico de Queluz.
Marcas da Revolução de 1932
No centro da cidade, a Ponte Governador Mário Covas, sobre o rio Paraíba do Sul, oferece vista para os destroços da antiga ponte, dinamitada durante a retirada de tropas ao final da Revolução Constitucionalista de 1932. O local é hoje um dos pontos que compõem roteiros históricos sobre o movimento na região do Vale do Paraíba.
Poucas cidades do Vale do Paraíba reúnem, em um espaço tão pequeno, marcas tão distintas de sua história: da ocupação indígena original ao ciclo do café, passando pelos conflitos da Revolução de 1932.
Cachoeiras, escalada e tradição junina
Para quem busca contato com a natureza, a Serra da Mantiqueira oferece a Queluz cachoeiras como a de Águas de Marambaia, além do Bosque das Paredes Ocultas, espaço com paredes próprias para a prática de escalada e vista privilegiada para a serra. A antiga estação ferroviária da cidade, inaugurada em 1874, é considerada a primeira estação paulista voltada ao escoamento da produção cafeeira e ao tráfego de passageiros na região.
Queluz também é conhecida na região por suas festas populares, entre elas a tradicional Festa de São João, apontada por moradores e por publicações regionais como uma das festas juninas mais tradicionais de todo o Vale do Paraíba, além das já conhecidas Festas da Moranga e da Mandioca, que reúnem comida típica e programação cultural em datas definidas a cada ano pela organização local.
Com pouco mais de nove mil habitantes segundo o censo de 2022, Queluz é um dos municípios menos populosos da microrregião de Guaratinguetá, o que contribui para manter um ritmo de vida mais tranquilo e para preservar boa parte do patrimônio arquitetônico ligado ao período cafeeiro, menos pressionado por expansão urbana do que em cidades vizinhas de maior porte. Essa combinação entre baixa densidade populacional e forte presença de remanescentes históricos tem atraído nos últimos anos visitantes interessados especificamente em turismo de história e natureza, em contraste com o perfil predominantemente religioso de cidades vizinhas como Aparecida e Cachoeira Paulista.
Conteúdo produzido e revisado pela redação do RMVale.