Trilhas e praias selvagens: o Parque Estadual de Ilhabela além da vela
Apesar da fama ligada a vela, a maior parte do território de Ilhabela é ocupada por mata preservada. O Parque Estadual de Ilhabela cobre cerca de oitenta e cinco por cento do município e protege mais de oitenta por cento da cobertura original de Mata Atlântica da região, o que faz do arquipélago um dos destinos de ecoturismo mais relevantes do litoral paulista.
Mais de quarenta praias, de urbanas a intocadas
Ilhabela reúne mais de quarenta praias, entre trechos de fácil acesso próximos a vila e áreas praticamente intocadas, alcançáveis apenas por trilha ou barco. A Praia do Bonete é o exemplo mais conhecido desse segundo grupo: sem acesso por estrada, é alcançada por uma trilha de cerca de doze quilômetros que atravessa área preservada de Mata Atlântica e passa por três cachoeiras ao longo do caminho, a da Laje, a do Areado e a do Saquinho, além de um mirante com vista para a própria praia. A caminhada costuma durar entre três e seis horas, dependendo do ritmo do grupo, e a recompensa é uma faixa de areia que já foi apontada por veículos internacionais entre as mais bonitas do Brasil.
Trilhas para o interior da ilha
Para quem prefere trilhas mais curtas, o Pico do Baepi, com pouco mais de mil metros de altitude, oferece vista panorâmica sobre a área urbana de Ilhabela e sobre o canal que separa a ilha do continente. O caminho de acesso passa pelo Ribeirão do Bexiga, onde piscinas naturais formadas pelo próprio rio permitem parada para banho antes ou depois da subida, tornando o passeio atrativo tanto para caminhantes experientes quanto para quem busca um contato mais leve com a mata.
Observação de baleias e vida marinha
Entre o fim de maio e o início de novembro, as águas ao redor de Ilhabela se tornam um dos pontos do litoral brasileiro mais procurados para observação de baleias, atraídas pelas condições do canal durante esse período do ano. A atividade costuma ser oferecida por operadores locais em passeios de barco que também aproveitam para levar visitantes a pontos de mergulho e a pequenas praias de difícil acesso terrestre, reforçando o papel do arquipélago como destino voltado tanto para quem busca aventura na mata quanto para quem prefere explorar o mar ao redor das ilhas.
Planejamento essencial para trilhas mais longas
Para trilhas mais exigentes, como a que leva a Praia do Bonete, recomenda-se sair cedo pela manhã, levar água e alimentos suficientes para o percurso e verificar previamente as condições do tempo, já que trechos da trilha podem ficar escorregadios após chuva. Muitos visitantes optam por retornar de barco a partir da própria Praia do Bonete, contratando o transporte com operadores locais, o que reduz o desgaste de refazer a caminhada de doze quilômetros no mesmo dia.
Já o acesso ao Pico do Baepi costuma ser mais simples, com trechos de estrada que reduzem parte da caminhada antes do início da trilha propriamente dita, o que o torna uma opção mais viável para quem tem menos tempo disponível, mas ainda assim quer levar para casa uma das vistas mais completas do arquipélago, com o canal, a vila e boa parte da costa continental visíveis em um único ângulo a partir do topo.
Conteúdo produzido e revisado pela redação do RMVale.