Sítio do Picapau Amarelo: a fazenda que inspirou Monteiro Lobato
Antes de se chamar Monteiro Lobato, o povoado situado às margens do rio de mesmo nome era conhecido como Buquira, palavra de origem tupi-guarani que significa algo como ribeirão dos pássaros. Criado em território pertencente a Taubaté e Caçapava sob a invocação de Nossa Senhora do Bom Sucesso, o povoado só ganhou o nome atual quando o município se emancipou, em 24 de dezembro de 1948, em homenagem ao escritor José Bento Monteiro Lobato, morto naquele mesmo ano. A escolha do nome não foi por acaso: foi justamente na Fazenda do Buquira que Monteiro Lobato iniciou sua carreira literária, escrevendo os contos que depois formariam o livro Urupês.
Do Buquira ao Sítio do Picapau Amarelo
Com o tempo, a antiga Fazenda do Buquira passou a ser chamada de Fazenda do Visconde e, depois, de Sítio do Picapau Amarelo, nome que carrega até hoje e que atrai visitantes interessados na obra do escritor. A propriedade fica a cerca de 8 quilômetros do centro da cidade e tem como principal construção a casa-sede erguida em 1880, com 18 cômodos preservados, cercada por um pomar e por uma cachoeira que corta parte do terreno, além de abrigar diversas espécies de aves ao longo da vegetação nativa remanescente.
Cachoeiras e patrimônio religioso
Bem perto do sítio fica a Cachoeira Reino das Águas Claras, uma queda de águas cristalinas cercada por piscinas naturais, acessível por uma trilha leve de cerca de 1 quilômetro em meio à vegetação da Serra da Mantiqueira. O município também guarda patrimônio religioso relevante, como a Paróquia Nossa Senhora do Bonsucesso, fundada em 1849, com pinturas de estilo barroco e vitrais decorativos concluídos em 1952 pelo artista Antônio Limones, e a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, monumento erguido em 1959 pelo artista Francisco Ferreira Santeiro, conhecido por sua nascente de água que atrai tanto peregrinos religiosos quanto visitantes em busca de água fresca de nascente.
Completam o roteiro turístico da cidade o Mirante das Antenas, com vista ampla da região, e pequenas capelas rurais, como a Capela de Santa Rita de Cássia e a Capela de São Benedito, que preservam construções anteriores à década de 1930 e continuam sendo palco de festejos religiosos tradicionais da comunidade local ao longo do ano.
Rodeada por paisagens de serra e por essa combinação entre história literária e patrimônio rural, Monteiro Lobato segue sendo um destino procurado por quem busca turismo tranquilo no Vale do Paraíba, sobretudo entre famílias interessadas em conhecer de perto os cenários que inspiraram um dos autores mais lidos da literatura infantil brasileira.
Conteúdo produzido e revisado pela redação do RMVale.