Lagoinha: fé e a Cachoeira Grande na Serra do Mar paulista
Encravada entre a Serra do Mar e a Serra do Quebra-Cangalha, a cerca de 190 quilômetros da capital paulista, Lagoinha é um dos municípios mais discretos do Vale do Paraíba, e também um dos mais religiosos do estado de São Paulo, com mais de 85% da população se declarando católica, segundo dados oficiais. Com pouco mais de 5 mil habitantes e altitude que passa dos 900 metros, a cidade oferece um roteiro de turismo rural, fé e natureza preservada.
O Rio Paraitinga, um dos principais afluentes do Rio Paraíba do Sul, atravessa o território de Lagoinha, reforçando a vocação rural do município. A população, de pouco mais de 5 mil habitantes segundo o Censo de 2022, com estimativa de cerca de 5.183 pessoas em 2025, vem se mantendo relativamente estável nos últimos anos, depois de décadas de declínio que se seguiram ao fim do ciclo do café na região.
Do pouso de tropeiros à cidade de hoje
A origem de Lagoinha está ligada ao ciclo do café e às rotas de tropeiros que cruzavam a região em meados do século XIX. Em 20 de julho de 1863, colonizadores conhecidos como Antocas doaram patrimônio para a construção de uma capela em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, hoje padroeira do município. O povoado se tornou paróquia em 1866, vila em 1880 e, por fim, cidade em 1900. A forte devoção que marcou a fundação da cidade se mantém viva até hoje: 8 de dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição, é feriado municipal.
Cachoeira Grande, o principal atrativo natural
O maior cartão-postal de Lagoinha é a Cachoeira Grande, formada pelas águas do rio Pinhal em uma queda livre de 38 metros que termina em um lago natural, dentro de uma área de mais de 20 mil metros quadrados de mata nativa preservada. Localizada em propriedade particular voltada ao turismo e à conservação ambiental, a cachoeira oferece estrutura para os visitantes, com lanchonete, restaurante, vestiários, estacionamento e atividades como rapel e tirolesa, além de programações de bem-estar como ioga e meditação.
Entre a Serra do Mar e a Serra do Quebra-Cangalha, a paisagem de Lagoinha combina relevo acidentado, mata preservada e um dos raros exemplos de turismo rural ainda pouco explorado no Vale do Paraíba paulista.
Essa combinação de fé, agricultura e conservação ambiental é o que distingue Lagoinha mesmo dentro do próprio Vale Histórico, onde municípios vizinhos como Cunha e Natividade da Serra compartilham características semelhantes de relevo montanhoso e economia rural.
Uma economia rural que resiste
Com solo pouco fértil e relevo montanhoso, Lagoinha manteve ao longo do século XX uma economia baseada na agricultura e, principalmente, na pecuária leiteira em pequena escala. Foi justamente essa vocação leiteira que, décadas depois, daria origem a um dos maiores símbolos culturais do município: o requeijão de prato, produzido de forma artesanal pelos pequenos produtores rurais da região.
Um destino para quem busca sossego
Lagoinha não é um destino de grandes multidões, e essa é justamente sua principal característica. A combinação entre fé popular, economia rural e uma queda d'água preservada dentro de mata nativa faz da cidade um contraponto aos roteiros mais movimentados do Vale do Paraíba, ideal para quem busca um dia de silêncio, natureza e contato com uma tradição religiosa e produtiva que atravessa gerações.
Conteúdo produzido e revisado pela redação do RMVale.