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Dia do Radialista: por que o rádio não acabou, por Arieli Prado

7 de novembro de 2026 Cachoeira Paulista 3 min de leitura
Dia do Radialista: por que o rádio não acabou, por Arieli Prado

Divulgação

Artigo de Arieli Prado, editora-chefe do jornalismo da Rádio Canção Nova e apresentadora do programa Café da Manhã, pela 96,3 FM.

"O rádio vai acabar. Com a chegada da TV, ninguém vai querer ouvir rádio. Na velocidade da internet, agora sim o rádio não tem futuro!", é o que se dizia. Porém, chegamos em 2026 com um crescimento absurdo desse veículo tão presente no cotidiano de muitas pessoas.

De acordo com a 48ª edição do "Data Stories — Inside Audio", da Kantar IBOPE Media, 92% da população consumiu algum tipo de áudio nos últimos 30 dias, seja rádio, música, streaming ou podcast. O rádio ainda se apresenta como um canal de grande alcance no Brasil, ouvido por 79% das pessoas nas principais regiões metropolitanas.

O som tem amplo poder na dimensão afetiva, sendo associado à emoção em 54% dos casos. Entre os ouvintes de rádio, 60% associam o meio à informação, 36% à diversão e 29% ao companheirismo.

A gaita de Ary Barroso

E quando se fala em emoção e companheirismo, lembramos de quem está por trás do microfone. O Dia do Radialista, 7 de novembro, faz memória a alguém que contribuiu significativamente para a história do rádio no Brasil: o compositor e radialista Ary Barroso, nascido em 7 de novembro de 1903, em Ubá, na Zona da Mata mineira. Ao longo dos seus 60 anos, criou 264 canções.

Por volta de 1930, Ary Barroso foi um dos pioneiros da locução esportiva. Naquela época a narração era feita à beira do campo, no meio da arquibancada, entre as torcidas. Você, que não viveu essa época, consegue imaginar uma narração de futebol no meio do barulho dos torcedores? Como os ouvintes iriam entender alguma coisa?

Muito criativo e musical, Ary Barroso resolveu o impasse de um jeito simples. Comprou uma gaita de brinquedo e, toda vez que saía um gol, tocava o instrumento, cujo som agudo sobressaía ao ruído do estádio e avisava claramente o ouvinte. Era gol! Se fosse do seu time do coração, o Flamengo, o som saía animado e longo; se fosse do adversário, em especial do Vasco, saía curto e desanimador, quase ninguém ouvia. Em seguida, vinha o bordão: "Eu não quero nem olhar".

Há outros bordões históricos de radialistas, como o "Ripa na chulipa!", de Osmar Santos, e o "Olho no lance!", de Silvio Luiz.

O profissional que atravessa gerações

Assim é o radialista: está nas narrações de futebol, no entretenimento, nas notícias, na interação com os ouvintes, inclusive pelas redes sociais, sendo capaz de falar da situação do bairro e até dos confins da Terra. Um profissional versátil, que aproxima gerações e passa a fazer parte da família de quem está do outro lado.

Será que o padre Roberto Landell de Moura (1861–1928), reconhecido como um dos pioneiros mundiais das telecomunicações e a quem se atribui a invenção da transmissão de voz por ondas de rádio, poderia sequer imaginar a força do rádio em pleno século 21?

Com informações de Arieli Prado.

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Aline Icassatti
Redatora · RMVale

Redatora do RMVale. Cobre os eventos do Vale do Paraíba e do Litoral Norte.

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