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Gastronomia

Requeijão de prato: o patrimônio gastronômico de Lagoinha

Administrador 26 de julho de 2026 Lagoinha 1 visualizações 4 min de leitura
Requeijão de prato: o patrimônio gastronômico de Lagoinha

Em Lagoinha, pequeno município encravado entre a Serra do Mar e a Serra do Quebra-Cangalha, existe um produto que resume boa parte da identidade cultural da cidade: o requeijão de prato, também chamado de requeijão de corte, reconhecido oficialmente pela administração municipal, em março de 2021, como Patrimônio Cultural Imaterial de Lagoinha.

Um queijo nascido da falta de refrigeração

A história do requeijão de prato está diretamente ligada à vocação leiteira da região. Lagoinha sempre teve sua economia voltada à pecuária, e famílias que produziam mais leite do que conseguiam consumir ou vender in natura não tinham como armazená-lo refrigerado. Para não perder a produção, pequenos produtores rurais passaram a transformar o excedente de leite em um queijo de consistência firme, muito diferente do requeijão cremoso industrializado que se popularizou depois em todo o Brasil.

Esse tipo de requeijão, conhecido também em cidades vizinhas como Cunha, São Luiz do Paraitinga, Natividade da Serra e Redenção da Serra, tornou-se um item obrigatório nas padarias de Lagoinha e um dos acompanhamentos mais tradicionais do café da manhã local, servido fatiado sobre pão francês.

Produção artesanal e em pequena escala

Diferentemente de queijos industrializados, o requeijão de prato de Lagoinha continua sendo produzido de forma totalmente artesanal, a partir da ordenha de poucas vacas por produtor, o que mantém a fabricação em escala reduzida e reforça seu caráter de produto genuinamente local. Essa produção limitada é também o que confere ao requeijão de Lagoinha seu valor simbólico: mais do que um alimento, é um símbolo de identidade transmitido entre gerações de famílias rurais do município.

Essa tradição também aproxima Lagoinha de outros municípios produtores de leite do Vale do Paraíba, como Caçapava, ainda que em escala e finalidade bem diferentes: enquanto a produção leiteira caçapavana alimenta uma cadeia industrial de grande porte, o requeijão de prato de Lagoinha permanece um produto de fabricação artesanal e familiar, o que reforça seu valor como patrimônio cultural.

Festival e reconhecimento cultural

O valor cultural do requeijão de prato levou a Prefeitura de Lagoinha a promover, em anos recentes, o Festival do Requeijão de Prato, realizado na Praça Augusto Ribeiro e organizado em parceria com a Secretaria de Cultura e Turismo do município. O evento reúne gastronomia, música e atrações voltadas à valorização do produto que, desde 2021, carrega o título oficial de patrimônio imaterial da cidade.

Comida caipira para acompanhar

Além do requeijão, Lagoinha oferece uma culinária caipira descrita por quem visita a cidade como sofisticadamente simples. Entre os endereços que mantêm viva essa tradição está o Restaurante da Dona Lia, referência de comida caseira para quem visita Lagoinha em busca de pratos fartos e sem grandes elaborações, no mesmo espírito que caracteriza a produção do requeijão de prato: poucos ingredientes, muito conhecimento tradicional e nenhuma pressa.

Essa simplicidade é, na prática, o maior atrativo gastronômico do município: nada substitui sentar em uma padaria simples do centro de Lagoinha, pedir um pão francês quente e uma fatia generosa de requeijão de prato, e entender, no primeiro gole de café, por que esse alimento artesanal virou símbolo oficial de identidade cultural da cidade. Para o visitante, a recomendação é simples: começar o dia com essa combinação, a forma mais autêntica de experimentar a gastronomia de Lagoinha.

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Conteúdo produzido e revisado pela redação do RMVale.

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