Pular para o conteúdo
RMVale — Notícias do Vale do Paraíba e Litoral Norte
Gastronomia

Cachaça artesanal e roça: os sabores de Cunha além da cerâmica

Administrador 26 de julho de 2026 Cunha 0 visualizações 3 min de leitura
Cachaça artesanal e roça: os sabores de Cunha além da cerâmica

Além dos ateliês de cerâmica e dos campos de lavanda, Cunha guarda outra tradição menos divulgada, mas igualmente enraizada na zona rural do município: a produção artesanal de cachaça. A altitude, o clima ameno de montanha e a proximidade com as serras da Mantiqueira, do Mar e da Bocaina criaram condições favoráveis para que famílias da região mantivessem, por gerações, pequenos alambiques dedicados à produção da bebida em escala artesanal.

Alambiques de produção familiar

Diferente da produção industrial em larga escala, os alambiques de Cunha costumam operar em processo totalmente artesanal, da moagem da cana à destilação, com fermentação natural e sem aceleração química. Parte dessa produção é envelhecida por anos em tonéis de carvalho e de madeiras nativas, um processo que confere à cachaça cor, aroma e complexidade de sabor bem diferentes da versão recém-destilada. Em algumas propriedades da zona rural é possível acompanhar o processo produtivo, das plantações de cana até o engenho, e degustar diferentes rótulos ao final do passeio, incluindo cachaças envelhecidas por períodos mais longos. Além do consumo direto, parte dessa produção também aparece em drinques e sobremesas de restaurantes locais, que usam a bebida como forma de valorizar a tradição artesanal do município.

Comida de roça como complemento do roteiro

A gastronomia de Cunha também se apoia na cozinha caipira tradicional das áreas rurais de altitude do Vale do Paraíba: pratos preparados em fogão a lenha, embutidos e queijos de produção local, doces caseiros e quitutes feitos com produtos da própria horta. É comum que pousadas e restaurantes da zona rural sirvam refeições completas nesse estilo, muitas vezes com ingredientes cultivados na própria propriedade, aproveitando o mesmo clima de serra que favorece a lavanda e as plantações de cana usadas na cachaça.

Um roteiro que une barro, cana e roça

O interessante do roteiro gastronômico de Cunha é a forma como ele se entrelaça com o roteiro da cerâmica: muitos visitantes organizam o dia alternando entre a visita a um ateliê, uma parada em algum alambique da zona rural e uma refeição caipira em alguma pousada ou restaurante local. Essa combinação tem ajudado a cidade a se posicionar não apenas como destino de artesanato, mas como um pequeno polo de turismo rural e gastronômico dentro da região serrana entre São Paulo e o Vale do Paraíba.

Em Cunha, a cachaça artesanal carrega o mesmo cuidado manual e a mesma paciência que caracterizam os fornos de cerâmica da cidade.

Para quem pretende visitar os alambiques, a recomendação geral é confirmar previamente com cada propriedade se há visitação guiada disponível, já que muitos desses empreendimentos são pequenos e de gestão familiar, sem estrutura fixa de recepção diária a turistas. Ainda assim, para quem consegue incluir essa parada no roteiro, a experiência costuma ser um dos pontos altos de uma visita a Cunha, ao lado dos ateliês de cerâmica e dos campos de lavanda que já consagraram a cidade no mapa turístico paulista.

Compartilhar
Administrador

Conteúdo produzido e revisado pela redação do RMVale.

Gostou desta matéria?

Receba as próximas direto no seu e-mail — sem spam, cancele quando quiser.

Matérias relacionadas